Programa Óprima! 2017

Programa (sujeito a atualização)

programa 31 maio oprima

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quarta, 14 de junho, 17h, FPCEUP

PAULO FREIRE – PENSAMENTO E PRÁTICA, COM LUIZA CORTESÃO

(entrada livre)

Freire e Boal

A poética da libertação do Teatro do Oprimido é grandemente influenciada pela participação de Boal em projetos de alfabetização no Perú e na Argentina, que o põem em contacto com Paulo Freire e com a sua pedagogia. Este contacto e estas experiências foram decisivas na mudança que Boal opera no teatro político. Não por acaso Boal considerava Freire o seu mestre. O vínculo à realidade concreta vivida pelas pessoas e uma pedagogia preocupada em desenvolver práticas emancipatórias que questionem o que existe para abrir possibilidades de mudança (é famosa a frase de Freire: “o mundo não é, o mundo está sendo”) encontra eco muito evidente nos métodos utilizados pelo Teatro do Oprimido: na sua praxis, no diálogo crítico entre teoria e prática, numa intervenção material e intelectual libertadora. Acontece também, que o facto de o Teatro do Oprimido ser usado em alguns contextos educativos não tanto como uma metodologia mas como uma técnica de ensinar ao serviço de determinados propósitos didáticos, irá ser fonte das mais variadas tensões. Como resgatar o legado de Freire para os dias de hoje e para pensar a intervenção com o teatro do Oprimido e as suas contradições?

Luiza Cortesão é professora emérita da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, fundadora do Instituto Paulo Freire de Portugal. É, nas palavras de Carlos Torres, “uma dessas, raras, pessoas que conseguiu combinar o activismo social com um academismo sério, zanga e paixão com amor e ternura, e que pode ser a melhor ‘compañera’ para um estudante de graduação procurando orientação e esclarecimento, assim como pôde ser a melhor colega para professores, académicos, e investigadores que procuravam engajar-se na interrogação séria e aprofundada de assuntos educacionais, particularmente no campo da formação de professores e da prática educacional”.

Integrado nas Tertúlias Dialógicas do Instituto Paulo Freire do Porto, ver convite em https://www.facebook.com/events/107205356547457/

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quarta, 14 de junho, 21h30, ACE

CONVERSA “O QUE É A OPRESSÃO HOJE?” 

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Um dos conceitos que define o Teatro do Oprimido é, precisamente, o de opressão. Mas o que entendemos por opressão? O que tem mudado na conjuntura social, política e sensível que implica também alterações nos sistemas de opressão e na forma como eles se cruzam. Por outro lado, como é que cada um dos grupos que se encontram neste Óprima! vê o combate que faz contra a opressão? Que opressões combate e como concebe as suas alianças? Que questões nos inquietam? Que estratégias de luta contra a opressão pomos no terreno? Que solidariedades estamos dispostos a construir?

Com a participação de Dora Matos, Julian Boal, Patrícia Martins, Ricardo Loureiro, Marta Calejo, José Soeiro, Ulício Cardoso e outros e outras.

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de quinta, 15 de junho a domingo, 18 de junho, ACE

OFICINA DE DRAMATURGIA DIALÉTICA

COM SÉRGIO DE CARVALHO E JULIAN BOAL

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Esta será uma oficina experimental de teatro dialético em relação com as ideias e as práticas dramatúrgicas de Boal e do Teatro do Oprimido. O Laboratório é voltado para temas sociais e políticos contemporâneos, trabalhados com base em exercícios de teatro épico e de agitprop. A oficina tem como objetivo a produção de cenas pelos próprios participantes, com base em modelos dramatúrgicos do teatro moderno, realizados sob orientação de Sérgio de Carvalho e de Julian Boal, tendo em vista o desenvolvimento de projetos coletivos.

Sérgio de Carvalho http://www.sergiodecarvalho.com.br/  é dramaturgo, diretor e fundador da Companhia do Latão, grupo teatral de São Paulo. É professor de Dramaturgia e Crítica na Universidade de São Paulo, onde coordena o Laboratório de Investigação em Teatro e Sociedade (LITS) da Escola de Comunicações e Artes. Foi cronista do jornal O Estado de S. Paulo. Editou as revistas de cultura Vintém e Traulito, ligadas à Companhia do Latão. Entre seus muitos espetáculos estão O Nome do Sujeito (1998), A Comédia do Trabalho (2000), Ópera dos Vivos (2010) e O Pão e a Pedra (2016). Entre seus livros se destacam Introdução ao Teatro Dialético (Expressão Popular, 2009), Companhia do Latão 7 peças (Cosac Naify, 2008) e Ópera dos Vivos (Outras Expressões, 2014)

Julian Boal é facilitador de Teatro do Oprimido, colaborando com organizações e iniciativas em mais de 20 países. Em Portugal, tem estado presente nas últimas edições do encontro Óprima! Foi fundador do Grupo de Teatro do Oprimido-Paris e da companhia Féminisme Enjeux. É autor do livro “Imagens de um Teatro Popular” (Hicutec, 2000) e terminou recentemente sua tese de doutoramento intitulada “Sob antigas formas em novos tempos: o teatro do oprimido entre “ensaio da revoluçao” e adestramento interativo das vitimas”

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sábado, 17 de junho, das 14h às 17h, ACE

OFICINA DE TEATRO JORNAL COM CECÍLIA BOAL

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O Teatro-Jornal foi uma resposta estética à censura imposta, no Brasil, no início dos anos 70, pelos militares, para escamotearem conteúdos, inventarem verdades e iludirem. Nesta técnica, encena-se o que se perdeu nas entrelinhas das notícias censuradas, criando imagens que revelam silêncios. Criada em 1971, no Teatro de Arena de São Paulo, esta técnica foi muito utilizada na época da ditadura militar brasileira, para revelar informações distorcidas pelos jornais da época, todos sob censura oficial. Ainda hoje é usada para explicitar as manipulações utilizadas pelos meios de comunicação.

Cecilia Thumim Boal, nascida em Buenos Aires, trabalhou na década de 1960 como atriz, diretora e roteirista de tv. Em 1966 incorpora o elenco do Teatro de Arena de São Paulo, participando de vários espetáculos no Brasil e noutros países. Em 1982 finaliza estudos de Psicologia na Sorbonne (Paris VII). É psicanalista e atriz. Preside ao Instituto Augusto Boal, criado em 2010. Desde então tem-se dedicado a preservar e divulgar a obra de Boal, desde as novas publicações, à montagem de peças, realização de seminários e encontros sobre teatro e dramaturgia.

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quinta, 15 de junho, 21h30, ACE

OUTROS MODOS DE FAZER: É POSSÍVEL DESOBEDECER ÀS INDÚSTRIAS CULTURAIS?

(entrada livre)

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As “indústrias culturais” e “criativas” estão por todo o lado e moldam os produtos artísticos de modo a que eles respeitem os padrões e imperativos comerciais. Nas nossas cidades, as indústrias ditas cul… e cria… transformam vento em evento e mostram-se aptas a enquadrar a mega operação de gentrificação do edificado que, na sequência de décadas de abandono e de especulação imobiliária, ainda não tinha sido conquistado e/ou investido pelas classes abastadas. Não acreditamos em bruxas pero que las hay las hay…

A facilidade com que nos é dado denunciar o processo de falsificação e desmontar o funcionamento mercantilista das ditas indústrias culturais/criativas poderia levar-nos a pensar que é igualmente fácil lutar contra a sua hegemonia, desobedecer ao seu ditame, escolher e partilhar outras sendas e outras situações no campo da criação artística lato sensu. Ora, nada é menos certo. Mas é desse desejo e de gestos que procuram concretizá-lo que fala um livro que a Regina Guimarães escreveu a partir de um “inquérito” a vários coletivos ativistas e artísticos do Porto. E esse é o pretexto para esta conversa e para a troca de experiências e opiniões.

Regina Guimarães  é escritora e videasta. Desenvolve trabalho nas brechas e nas margens da escrita, do cinema, da tradução, da canção, etc.

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sexta, 16 de junho, 17h30 às 20h, ACE

AOS OMBROS DE GIGANTES: RAÍZES E INFLUÊNCIAS DE BOAL E DO TEATRO DO OPRIMIDO

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Nenhuma prática e nenhuma teoria nasce do vazio: é criada a partir do pensamento de outros e de outras e sobretudo a partir de experiências sociais concretas e como resposta a problemas de cada conjuntura. É aos ombros de gigantes que se pode ver mais longe. Neste debate, Geo Britto partilhará connosco o seu trabalho sobre a presença do marxismo na obra do Boal, Paulo Bio Toledo falará sobre o Teatro de Arena e sobre a presença de Boal em Portugal e Inês Barbosa sobre as influências das pedagogas críticas no Teatro do Oprimido, bem como sobre a relação entre este e as lutas sociais na atualidade.

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Geo Britto é membro do Centro de Teatro de Oprimido (CTO) desde 1990. Ao logo dos anos criou diversos projetos e grupos de teatro do oprimido em escolas, favelas, prisões, etc. Já orientou workshops e conferências um pouco por todo mundo. Neste momento coordena o grupo de teatro do oprimido da Maré, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. Em 2015 concluiu a tese “Teatro do Oprimido: Uma construção periférica épica”

Paulo Bio Toledo está atualmente a desenvolver uma pesquisa sobre a presença de Ausgusto Boal em Portugal no âmbito do seu doutoramento. ÉEscreveu uma tese de mestrado sobre “Impasses de um teatro periférico: as reflexões de Oduvaldo Vianna Filho sobre o teatro no Brasil entre 1958 e 1974”.

Inês Barbosa é membro fundador do NTO Braga. Desenvolveu um projeto de investigação-ação participativa e emancipatória relacionada com o Teatro do Oprimido. Participou em intercâmbios, workshops e formações com vários curingas nacionais e internacionais.

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sexta, 16 de junho, 21h30, ACE

PEÇA “ANITA APRENDE A SER MULHER”

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São poucos os nomes femininos que se preservaram na história da literatura e o resultado é um registo histórico e lírico masculino e, muitas vezes, machista.
De que forma essa perspetiva unilateral afeta o dia-a-dia dos homens e mulheres? De que forma condiciona as suas escolhas e, principalmente, a forma como se julgam a si próprios?
Através de textos de vários autores considerados marcantes para a literatura, alguns deles preservados no Plano Nacional de Leitura, bem como de histórias pessoais de várias mulheres, Leonor Rodrigues e Márcia Gomes atravessam as consequências dos longos e pesados anos distorcidos pela visão exclusiva do homem.

(entrada livre)

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sábado, 17 de junho, 21h30, ACE

PEÇA “EN EL MISMO BARCO”, DO GTO LA TRINCHERA (MADRID)

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Em “En el mismo Barco” apresenta-se a história de uma mulher que vive uma situação de opressão no local de trabalho. Professora de castelhano, empregada de mesa, balconista, operadora de callcenter, etc, etc. Muitos currículos e, por fim, um emprego. O que significa um emprego para ti? Até onde estás disposto a ir para manter o teu emprego? É imprescindível ceder? Dizem-nos que temos de colaborar, que temos de fazer sacrifícios, estamos no mesmo barco…será que estamos?

G.T.O. LaTrinchera surgiu de forma orgânica, sem um objetivo específico, mas com um denominador comum. Ana, Esmeralda, Amadeo, Eva e Inma foram, cada um num momento, alunas e alunos de Vanesa, a sétima pessoa do grupo. Desde que chegou a Espanha vinda da Argentina, Vanesa começou a orientar oficinas de teatro das oprimidas e dos oprimidos em vários espaços em Madrid e foi nesses espaços que se cruzaram todas as pessoas que hoje formam o La Trinchera. O motor de arranque do primeiro trabalho do grupo foi o tema da precariedade no trabalho e as diferentes explorações sofridas no trabalho.

(entrada livre)

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sexta, 16 de junho, 22h, ACE

PEÇA “A REVELAÇÃO”, ESE- PORTO

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A “Revelação” é uma peça de Teatro Fórum constituída por três cenas, duas delas são desenvolvidas em contexto familiar e uma decorre em espaço exterior, num café, durante uma conversa entre amigas. As revelações são múltiplas: as representações e os efeitos de uma moralidade judaico-cristã a propósito da orientação sexual, da organização da família e das relações entre as pessoas saltam para um palco que é ocupado por pessoas que são atores/as e autores da própria história. A peça foi construída no âmbito de uma Unidade Curricular do Mestrado em Educação e Intervenção Social, especialização em Acção Psicossocial em Contextos de Risco, da Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto (ESEP) (Ana Bertão, coordenadora do Mestrado em Educação e Intervenção Social, ESEP)

Curinga: Joana Cruz (Associação Tartaruga Falante do Porto). Autores e Atrizes: Alda Pinheiro, Catarina Teixeira, Carla Lima, Daniela Lobão, Luciana Monteiro, Luciana Pereira, Mariana Ferreira, Tânia Duarte (Mestres e Especialistas em Educação e Intervenção Social, especialização em Acção Psicossocial em Contextos de Risco)

(entrada livre)

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sábado, 17 de junho, 17h às 18h, ACE

TEATRO DO OPRIMIDO: EMANCIPAÇÃO OU ANALGÉSICO?

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conversa com Montse Forcadas

Constatamos, una vez más, cómo espacios concebidos como herramientas de transformación social son desactivados desde la susceptibilidad. Entendiendo ésta como un dispositivo que se centra en las emociones individuales y no se pregunta ni el cómo ni el porqué de esos sentimientos en relación a las desigualdades sociales ni al sistema socio-político-económico donde se enraizan.

Montse Forcadas é uma das fundadoras do Forn de teatre Pa’tothom, uma organização sediada em Barcelona e especializada em Teatro do Oprimido, que implementa projetos na defesa dos Direitos Humanios, pela erradicação de práticas que geram exclusão e pela busca de modelos sociais alternativos. Tem também uma escola de teatro com linhas pedagógicas próprias.

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domingo, 18 de junho, 17h, Praça Carlos Alberto

ATO PÚBLICO INTERNACIONALISTA: PELA DEMOCRACIA – FORA TEMER

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Neste ato público haverá performances resultantes das oficinas do nosso encontro, música e intervenções. Em solidariedade com a luta contra o golpe no Brasil. Pela democracia. Contra todas as formas de opressão.

Com a presença de Cecília BoalDj Farofa, Fred Martins, Lubisco e Lalí, Sérgio de Carvalho, Vivian Andrade e outros e outras.

Ato organizado em parceria com os grupos ‘Contra Temer Porto’ e ‘Brasileiros no Porto pela Democracia’.

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